sábado, 31 de outubro de 2009

Chuva de Outono


O Outono chegou e com ele a chuva e as folhas caídas…e o que poderá ser melhor do que estar numa varanda coberta a ver e ouvir as gotas que caiem do céu cinzento e nublo?

Pode parecer melancólico apreciar tal facto com tanto apreço, mas todas as simplicidades menos apreciadas também têm a sua beleza única. No entanto, essa beleza não emerge apenas das gotas lacrimejantes do céu, porque é o todo que promove a espectacularidade e unicidade deste ambiente sazonal e influente nas nossas vidas.

As pessoas seguem as suas vidas atarefadas e regulares caminhando com chapéus e gabardines, casacos impermeáveis e roupas mais quentes, esperando pelo momento em que as poças deixam de tilintar e o sol irrompe pela monotonia dos tons cinza frios e ventosos. O vento eleva-se na dança chuvosa e faz-se ouvir no leve contorcer por entre as árvores que gemem num restolhar sussurrante, como que pedindo por silêncio num “chiu” contínuo e leve, gracioso e suave, enfim…um som tão simples que tornaria a mais elementar melodia numa complexidade incompreendida. Um som que leva as folhas secas e rodopiantes a viajar no seu último suspiro, tocando, por fim, no aroma da terra ensopada que encanta qualquer um que saia à rua.

São estas belezas simples e tão naturais como a chuva, as nuvens, as folhas e tudo o que gira à sua volta, que às vezes são esquecidas, mas o que é certo é que nos costumam deixar a pensar e reflectir sobre nós próprios quando nos deparamos sozinhos perante a sua presença profunda e poderosa.