terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Escrita

Se calhar devem ter pensado o porquê desta minha escrita, os temas tão variados, a vastidão de pensamentos e todas aquelas mudanças subtis dentro da minha expressão.

Cá vai uma breve explicação…

Como não gosto de explicitar o que vai na minha alma de maneira directa, porque isso seria uma mera exposição do que deve ser descoberto e compreendido, prefiro a abordagem de temas que, pura e simplesmente, me surgem na mente em diversas ocasiões, sejam eles de bom ou mau teor. Não são eles temas ou constatações de estados de espírito momentâneos, são fontes de expressão que me dão prazer de usar para mostrar algo que muita gente ainda não conseguiu entender…a essência da minha pessoa…tão básica…tão simples…às vezes boa e outras vezes má. Não são as pessoas feitas dos dois? O bem e o mal? Digam-me alguém que conheçam que seja a materialização da perfeição. Não conseguem, pois não? Ora aí está…

Por vezes, pode acontecer que o que escreva tenha algo a ver com algum de vós, mas terá sempre a ver, porque estão sempre comigo, sempre fortes e sempre presentes. E é assim que gosto de sentir as coisas. Ser capaz de dizer e de escrever tudo o que pensariam impossível.

domingo, 1 de novembro de 2009

Carta a Inocência

Lembras-te de como eu era no início? Lembras-te como éramos antes de tudo o resto?

Os teus olhos da cor da elegância emanavam ternura e dedicação e os teus cabelos, nem loiros, nem morenos, balançavam nas ondas do mar a tocar a noite da minha ingenuidade. Os teus braços esbeltos abraçavam esperanças ténues e abandonadas que tentavam, sem saber, escapar pelo mais ínfimo espaço por ti deixado, desde as curvas suaves da tua silhueta até ao seio do meu sono mais profundo.

Não havia luz nem escuridão. Não havia o bom nem o mau. Não havia um “eu” nem um “tu” e nem sequer a dor e a felicidade ou o hoje e o amanhã.

Costumava pensar que no teu abraço, no meu refúgio de sempre, tudo parava e tudo ficava bem, mas as tuas acções dissimuladas e de faca escondida sempre me fizeram perder aquilo por que lutava. A tua força e o teu controlo sufocavam-me. As tuas correntes prendiam-me ao chão como se de uma besta adormecida me tratasse. A tua mente limpa e falsa dominava-me de tal forma, que serias capaz de me aprisionar num espelho sem que eu notasse a diferença entre a imagem distorcida e fraca e o “eu” que jazia por detrás dela.

Agora já não estás comigo. Já não me acompanhas. Simplesmente porque te abandonei num cais remoto e sombrio, sem pensar duas vezes, sem olhar para trás e sem um único “adeus”. Tudo o que me deste foi uma ilusão e nada mais do que a perdição e o desassossego.

E agora?

Agora que dizes da solidão, Inocência?

Inocência do meu coração?

Tempo

O tempo tenta-nos atrasar naquelas alturas menos boas e tira-nos minutos nas melhores alturas das nossas curtas vidas. Quem sabe se não é para nosso bem que ele se mostra dessa forma, sempre tão inconstante, tão frio e inabalável…poderia até dizer…tão intemporal. Quem sabe se ele não nos corta esses minutos de momentos bons para nos permitir, mais tarde, menos tempo de sofrimento e de falta de vontade quando esses momentos acabam. E quem sabe se os atrasos durante os momentos maus não servem para nos fortalecer em situações futuras e semelhantes…

Não o podemos censurar pela sua natureza, pela sua intransigência, porque também não o podemos tentar compreender. Não é o tempo relativo? O que pode ser algo bom para nós não poderá ser, ao mesmo tempo, algo mau para outrem? Assim, num mesmo momento, ele estaria a mostrar as duas facetas. Uma cara para mim e outra para ti. Um tempo para ti e outro para mim. Nada muito complicado para ele mas, muito provavelmente, entrelaçado e difícil para nós.

Tudo isto são momentos, são pessoas, são vidas. Regidas pelo senhor dos ponteiros do relógio e da areia que cai da ampulheta…

Mas uma coisa é certa…

Há momentos na vida que não se podem esquecer e outros que deveríamos simplesmente apagar. Uns poderiam mudar tudo, se tivessem acontecido, e outros mudaram mesmo tudo porque aconteceram…opções, decisões, loucuras. Tudo serve para mudar a nossa história, uma e outra vez. E o tempo…o tempo é rei e senhor de todos esses momentos e de todas essas opções, de todas essas decisões e de todas essas loucuras.

sábado, 31 de outubro de 2009

Chuva de Outono


O Outono chegou e com ele a chuva e as folhas caídas…e o que poderá ser melhor do que estar numa varanda coberta a ver e ouvir as gotas que caiem do céu cinzento e nublo?

Pode parecer melancólico apreciar tal facto com tanto apreço, mas todas as simplicidades menos apreciadas também têm a sua beleza única. No entanto, essa beleza não emerge apenas das gotas lacrimejantes do céu, porque é o todo que promove a espectacularidade e unicidade deste ambiente sazonal e influente nas nossas vidas.

As pessoas seguem as suas vidas atarefadas e regulares caminhando com chapéus e gabardines, casacos impermeáveis e roupas mais quentes, esperando pelo momento em que as poças deixam de tilintar e o sol irrompe pela monotonia dos tons cinza frios e ventosos. O vento eleva-se na dança chuvosa e faz-se ouvir no leve contorcer por entre as árvores que gemem num restolhar sussurrante, como que pedindo por silêncio num “chiu” contínuo e leve, gracioso e suave, enfim…um som tão simples que tornaria a mais elementar melodia numa complexidade incompreendida. Um som que leva as folhas secas e rodopiantes a viajar no seu último suspiro, tocando, por fim, no aroma da terra ensopada que encanta qualquer um que saia à rua.

São estas belezas simples e tão naturais como a chuva, as nuvens, as folhas e tudo o que gira à sua volta, que às vezes são esquecidas, mas o que é certo é que nos costumam deixar a pensar e reflectir sobre nós próprios quando nos deparamos sozinhos perante a sua presença profunda e poderosa.